A Eneida de Virgílio

 

Quem foi Virgílio?
(70-19 a. C.)

 

Uma das maiores expressões da literatura latina, viveu na época de Augusto e se tornou célebre por suas obras.

Época de Augusto: 44 a.C. – 14 A. D. Paz., prosperidade e proteção às artes e letras. Retorno aos valores tradicionais da vida romana, fortalecimento de suas raízes: vida campesina, familiar, religiosa.

P. Virgilius Maro nasceu em Andes, perto de Mântua. Família de camponeses proprietários. Estudou em Cremona, Milão, em Roma. Recebeu proteção de Mecenas e de Augusto.

À elaboração da Eneida dedicou dez anos de sua vida e faleceu quando retornava da viagem feita à Grécia, antes de dar à obra os últimos retoques. Desejou que a mesma fosse queimada, mas não foi cumprida sua vontade.

Obras: Bucólicas, Geórgicas, Eneida.








cena das Geórgicas de Virgílio
[clique na figura para vê-la maior]

 


A Poesia de Virgílio

Patriotismo, em especial na Eneida

Amor à vida rural;

Valorização dos laços familiares

Piedade (religião)

Doçura, Clemência

Originalidade na imitação

 


Eneida, Poema de Roma

 

"... a Eneida é poema de Roma, da Roma de todos os tempos, da lendária e da histórica. Mas não só de Roma. Virgílio presta culto às virtudes antigas da estirpe, honra as conquistas da civilização de seu tempo, mas antecipa a pureza da fé nos séculos vindouros, une o passado e o porvir com um áureo elo de poesia. Seu poema não é um poema oficial da Roma imperial, mas sobretudo um poema de profunda humanidade. Humanidade que despreza a guerra e que deseja a paz...."

Ettore Bignone


Dante e Virgílio

"O delli altri poeti onore e lume,
Vagliami "’l lungo studio e ‘l grande amore
Chen m’há fatto cercar lo tuo uolume.
Tu se’lo mio maestro e ‘l mio autore

Tu se’solo colui da cui io tolsi
Lo bello stilo che m’há fatto onore."

 

"O’ dos poetas lustre, honra e eminência!
Valha-me o longo estudo, o amor profundo
Com que em teu livro procurei ciência!
És meu mestre, o modelo sem segundo;
Unicamente és tu que hás me ensinado

O belo estilo que me honra no mundo..."

(A Divina Comédia, Inferno, 82-87).
trad. de Tassilo Orpheu Spalding, in Eneida, op. cit.


A Eneida – Argumento

Irritada contra os troianos, Juno , graças a Eolo, provoca uma tempestade e Eneias vai dar nas costas da África, em Cartago (canto I).

Aí relata à rainha, Dido, a queda de Tróia.(II) e suas viagens desde Tróia: Trácia, Delos, Creta, Estrofades, Ítaca, Epiro, Sicília (III).

Dido apaixona-se por Enéias, que a abandona, para cumprir a sua missão. Suicídio de Dido (IV).

Na Sicília, Enéias promove jogos para celebrar o primeiro aniversário da morte de seu pai Anquises. Parte deixando para trás mulheres, velhos e homens menos valorosos (V).

Com o auxílio da Sibila de Cuma, Enéias desce aos Infernos para ver o pai, que faz profecia sobre o futuro grandioso de Roma. Reencontra, entre os mortos, Dido, que não o perdoa (VI).

Na Sicília, Enéias promove jogos para celebrar o primeiro aniversário da morte de seu pai Anquises. Parte deixando para trás mulheres, velhos e homens menos valorosos (V).

Com o auxílio da Sibila de Cuma, Enéias desce aos Infernos para ver o pai, que faz profecia sobre o futuro grandioso de Roma. Reencontra, entre os mortos, Dido, que não o perdoa (VI).

Na Itália faz aliança com o rei Latino, que lhe dá a mão da filha Lavínia, prometida a Turno, chefe dos rútulos. Este levanta-se contra os troianos (VII).

Enéias busca o apoio de Evandro, rei do Palatino, futuro assentamento de Roma. Vulcano fabrica armas para Enéias a pedido de Vênus (VIII).

Turno ataca o acampamento troiano na ausência de Enéias. Façanha e morte dos heróis troianos Nisus e Euríalo (IX).

No Olimpo se enfrentam Juno e Vênus. Zeus deixa os destinos agirem. Retorno de Enéias. Combate. Morte do filho de Evandro, Palante. Juno salva Turno. Funerais de Palante (X).

Trégua de doze dias.. Batalha (XI).

Aristeia entre Enéias e Turno. Morte de Turno (XII).

 


A Lenda de Enéias

Dizia uma lenda grega conhecida dos romanos que Enéias teria vindo à Itália. Virgílio a aproveita e nela incorpora a história de Roma, referindo-a no discurso de Anquises e na descrição do escudo de Enéias.


Eneida - Modelos

Virgílio utiliza como modelo épico a Odisséia, para os seis primeiros livros da Eneida. Inspira-se também na Ilíada, sobretudo para a composição dos seis últimos cantos. Incorpora episódios colhidos em outras fontes, como o reencontro de Dido e Enéias, que Névio cantara. Mostrou originalidade e talento, além de pesquisa, reflexão e conhecimentos.


Caráter do herói (pius Aeneas)

Enéias é filho de uma deusa, Vênus, e um mortal, Anquises, descendente da casa real de Tróia.

Seu destino é sobreviver à destruição de Tróia e fundar uma nova civilização na Itália.

Enéias foge de Tróia levando consigo o velho pai, Anquises, os Penates (deuses pátrios), o filho Ascânio (que será Iulo) e a esposa Creusa. Esta não terá êxito em segui-lo.

O maior traço de Enéias é a piedade. Como guerreiro, a coragem. Coroam essas qualidades a compaixão e humanidade.


O Herói e sua Missão

Na Ilíada, Posídon salva o herói da morte e declara seu destino:

"... Vamos, furtêmo-lo nós mesmos à morte, a fim de que não se irrite o filho de Cronos, se o matar Aquiles. O seu destino é escapar, para impedir que, por falta de semente, desapareça e pereça a raça de Dárdano, que o filho de Cronos amou mais do que todos os filhos nascidos dele e de mortais. ..."

Ilíada, canto XX, v.300 e seg., S.Paulo: Difel, 1961,
trad. Octávio Mendes Cajado.


MISSÃO DE ROMA

"Outros modelarão, bem o creio, bronzes com vida e sem dureza; extrairão dos mármores seres animados; defenderão melhor as causas; medirão com o compasso o curso dos céus e anunciarão o nascer dos astros.

Tu, romano, sê atento a governar os povos com o teu poder – estas serão as tuas artes -, a impor hábitos de paz, a poupar os vencidos e derrubar os orgulhosos."

Eneida VI, 847-853
In: Romana, ed. cit., p. 164.


PALAVRAS DE ENÉIAS A SEU FILHO ASCÂNIO

"Aprende comigo, ó filho, a virtude e trabalho honesto, a fortuna com os outros. Agora a minha destra te protegerá e te levará a grandes recompensas. Procura, logo que atingires a idade viril, lembrar-te disto, e, fazendo por seguir o exemplo dos teus, que te incitem a lembrança de teu pai Enéias, de teu tio, Heitor."

Eneida, XII, 435-440.
In: Romana, ed. cit., p. 191.


O PODER ROMANO

Um povo forte

Raça de duro tronco, mal nascem os filhos, mergulhamo-los
no rio, e endurecemo-los ao gelo cortante das águas;
os jovens passam a noite na caça, batendo as florestas;
os seus jogos, são domar cavalos, retesar o arco para lançar a seta.

 

Missão de Roma

A juventude, persistente no trabalho e afeita a pouco,
ou domina a terra com o arado, ou abala as florestas com a guerra.
Toda a vida se passa com o ferro, e com as lanças invertidas,
fatigamos o lombo dos novilhos; a lenta velhice  
não os debilita a força de ânimo nem nos altera o vigor.
As nossas cãs cobre-as ainda o capacete e sempre nos apraz
Trazer presas novas e viver do saque

Eneida., IX, 603-613.
In Romana, ed. cit., p. 189


Eneida – Edições, Traduções e Bibliografia

Públio Virgílio Marão. A Eneida. Trad. de Nicolau Firmino. Porto: Livraria Simões Lopes, 1955.

Virgílio. Eneida. trad. de Tassilo Orpheu Spalding. S.Paulo:Abril Cultural, 1983.

Virgile. L’Éneide. trad. de Maurice Rat. Paris: Garnier, 1947. 2 volumes.

L. Laurand et A. Lauras. Manuel des Études Grecques et Latines. Paris: Éditions A et J. Picard et Cie. Tome II.

H. Bornecque e D. Mornet . Roma e os Romanos. S.Paulo: E.P.U.-EDUSP, 1976.

Augustín Millares Carlo. Historia de la Literatura Latina. México-Buenos Aires: Fondo de Cultura Económica, 1950.

Ettore Bignone. Historia de La Literatura Latina. Buenos Aires: Editorial Losada, 1952. Trad. de Gregorio Halperín. Original: Il Libro della Letteratura Latina.

Ettore Paratore. História da Literatura Latina. Lisboa: Calouste Gulbenkian, 1987. Trad. de Manuel Losa, S.J. Original: Storia della Letteratura Latina.

Maria Helena da Rocha Pereira. Estudos de História da Cultura Clássica. Lisboa: Calouste Gulbenkian, 1984, II vol. Cultura Romana.

Ludwig Bieler. Historia de la Literatura Romana. Madrid: Editorial Gredos, 1968.Trad. de M. Sanchez Gil. Original: Geschichte der Roemischen Literatur.

Zélia de Almeida Cardoso. A Literatura Latina. Porto Alegre: Mercado Aberto, 1989.


voltar