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GRÉCIA & ROMA

Tétis banhando seu filho Aquiles no Aqueronte.

vida & educação

7 a 27 de maio de 2001
Faculdade de Educação da Universidade de São Paulo
FE-USP


Apresentação

Esta é a primeira tentativa de partilhar com o público o enorme prazer de ver, de imaginar, de conhecer a cultura antiga, confrontando textos e imagens. (*)

    Grande parte do material vem de nosso próprio acervo; outra se deveu a obras maravilhosas que encontramos em bibliotecas, ou que generosamente nos foram cedidas, para este fim, por nossa querida Mestra e amiga, Profª. Dra. Gilda Maria Reale Starzynski, a quem nunca agradeceríamos de forma satisfatória, pela atenção e incentivo.

    A motivação principal prende-se à própria natureza de nossos trabalhos junto aos alunos de graduação, aos quais se deve como que uma iniciação disciplinar em história da educação grega e romana, das origens à queda do império romano do ocidente. A redução dessas aulas pelas reformas curriculares da Pedagogia nos tem constrangido a visões mais abrangentes e simplificadoras, o que acaba levando à escolha de imagens fortes, em função das quais outras são preteridas, perdendo-se, com a exclusão dos matizes, o jogo dos contrapontos.

    As limitações dos resultados não diminuem o entusiasmo, pois o projeto foi executado com muita alegria, que cresce com o apoio dos alunos muito queridos, de graduação e de pós-graduação, e de dedicados funcionários da FEUSP. A todos somos muito gratos.

    Compõem esta apresentação os seguintes quadros: cenas de aleitamento, de jogos e brincadeiras infantis, alguns destaques para a passagem da adolescência para a vida adulta, predominando, no caso da Grécia, a perspectiva da inserção do jovem na vida cívica. Neste ponto destacamos as referências à cultura física e intelectual. No caso de Roma, felizmente, porque tínhamos mais material, pudemos registrar com alguma abundância alguns aspectos da vida escolar propriamente dita.

    Há grandes ausências e temas importantes não foram representados, devido ao espaço físico limitado, e, às vezes, à carência de material iconográfico adequado, o que explica, em parte, alguns destaques: para a mulher grega e para a épica - o guerreiro, sua partida, sua morte e suas armas, de um lado; Aquiles - o paradigma, de outro.

    Mas que o espectador não se engane. A imagem tem o poder de mostrar. Mas nesse ponto há um abismo entre o que se vê e o que se pensa ver. Entre olhar uma imagem para desfrutar esse momento e pretender utilizá-la como um documento histórico há uma grande diferença, e essa diferença deve ser respeitada. Procuramos compensar, em parte, essa lacuna. Daí o recurso a textos. Para complementar ou contrapor, enfim, aclarar. O entrelaçamento da imagem com a palavra foi inevitável. Às vezes, essa ligação é frouxa, indireta; outras vezes, certos aspectos importantes da educação dependem exclusivamente de texto.

    Além do mais, à falta de testemunhos, somos levados a vislumbrar a educação de uma certa época por meio da cultura. Assim, há quadros em que as imagens não tratam diretamente de educação, passando nosso conhecimento histórico a depender, então, de forma muito acentuada, de uma perspectiva mais abrangente, antropológica.

    Esta exposição não pretende ser algo como um documentário, nem um pacote cultural. Que tenha um pouco desses sabores, prevalecendo o encontro com a diferença. Nessa busca do outro e do próprio, há de haver algum estranhamento; com isso, abre-se uma questão de identidade e, ou, antes, de identificação. Nesse caso, que a contemplação do passado venha a servir para despertar um esforço espiritual de compreensão, não apenas da nossa herança cultural, mas também de pontos de ruptura, de afastamento e, por que não, de conflito. Desejamos que esse apelo ao longe nos traga para mais perto de nós próprios. Ao depois, que o espectador desloque o seu olhar, em direção a si próprio, e considere, com as antinomias que nos cercam, as ambigüidades de nosso tempo.

    N.B.: No segundo ano de seu falecimento, dedico meu trabalho à memória de Roque Spencer Maciel de Barros, incansável em sua luta pela implementação e cultivo dos estudos clássicos na FEUSP.

   
Prof.ª Dr.ª Gilda Naécia Maciel de Barros
    Faculdade de Educação da Universidade de São Paulo

    São Paulo, maio de 2001.

    (*) As indicações bibliográficas e iconográficas acompanham as imagens.


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