Apresentação
Dedicada à memória da
Prof.ª Dr.ª Gilda Maria Reale Starzynski
Esta exposição, organizada com o mesmo espírito de iniciativas anteriores, mas agora com apoio do Museu de Arqueologia e Etnologia (MAE), visa a consolidar os laços entre estudos clássicos e educação, fortalecendo a docência e pesquisa em campos do saber afins. Voltada aos alunos da USP, sobretudo aos ingressantes do curso de Pedagogia, aos quais devemos uma iniciação em história da educação grega e romana, serve também ao trabalho didático dos professores e alunos da rede pública e à formação do público em geral.Nesse ano olímpico, destacamos o tema painéis guardam uma certa unidade temática, embora não exclusiva. Educação e cultura física, razão pela qual os os painéis guardam uma certa unidade temática, embora não exclusiva.
Demos um destaque a alguns sítios arqueológicos de grande expressão, verdadeiros santuários, que abrigavam, junto com os templos, outras instalações, voltadas para o desenvolvimento físico, intelectual e moral dos jovens, como ginásios, palestras, estádios e teatros, o que registra concretamente a visão grega unitária da vida.
Na Grécia, os exercícios físicos sempre eram feitos com música; a dança, o canto, a música ligeira compunham o pano de fundo de toda prática educativa, estando a valorização da beleza corporal nas próprias origens dessa cultura. Daí termos distinguido alguns tipos modelares, na estatuária grega deuses ou heróis míticos, ou homens de carne e osso, figuras que espelham esse anelo de equilíbrio e harmonia.
O cultivo do corpo e a busca da forma plástica perfeita encontra a mais alta expressão nas provas atléticas (agônes), que registramos aqui em várias modalidades, com destaque para: corrida, salto, lançamento de disco, de dardo, luta pugilato, pancrácio, corrida de carros.
Lembrando o espírito grego de competição e a valorização da excelência (areté), que coroa todo o esforço de treinamento e disciplina, distinguimos os prêmios e oferendas votivas por vitórias alcançadas nas competições (agônes): caldeirões, caneleiras, rodas de carros, imagens do condutor de carro (auriga), coroas, moedas comemorativas e congêneres pequena expressão de vasto material comemorativo do mérito e da glória.
Embora a exposição reúna mais de 120 imagens, sempre se há de notar a falta de algumas representações temáticas de grande interesse; essas ausências podem ser compensadas com uma consulta às obras reunidas na bibliografia.
Para sanar as lacunas dessa exposição, combinamos imagens e palavras, recorrendo a textos, que guardam, quase sempre, uma ligação frouxa com a imagem, mas forte com o tema em destaque.
Não estamos oferecendo um documentário ou pacote cultural, mas um convite à reflexão, um estímulo ao estudo e à busca, um apelo, enfim: que se veja a história como inventário das diferenças, ponte para a alteridade e encontro com nossas origens.
Gilda Naécia Maciel de Barros (FEUSP)
Maria Beatriz Borba Florenzano (MAE)
São Paulo, maio de 2004